O Primeiro Dia da Criança na Escola

Revista Alô Bebê
Abril/2004
Por Juliane Araújo

Não são apenas os pequenos alunos que sentem insegurança na estreia escolar.

A preocupação com a educação dos filhos é uma constante na vida dos pais. Antes mesmo da chegada do bebê, eles já procuram proporcionar o melhor ambiente de convivência, pensando sempre no conforto e na qualidade de vida dos pimpolhos.

Muitos chegam até mesmo a consultar as próprias crianças sobre qual é a escolinha que mais lhes agrada. A ideia de que os filhos devem estar à frente de todas as escolhas pode ser um indício de falta de imposição de limites por parte de alguns pais, que pensam que essa liberdade é saudável. “Deixar uma criança escolher, nessa faixa etária (pré-escola), algo tão importante é totalmente inadequado”, alerta a psicanalista infantil Vera Zimmermann.

E como os pais devem enfrentar a tensão dos filhos no primeiro dia de aula?

Para a psicanalista, a escolha correta da escolinha é essencial para minimizar os problemas desse dia tão importante na vida de uma criança.

O comportamento dos pais influencia muito a reação da criança ao primeiro dia de aula. Para que o pequeno aluno não fique inseguro ao colocar os pés no novo ambiente, os pais devem transmitir a segurança de que aquilo é o melhor para ele. Para a psicanalista, é muito importante que os pais procurem ter contato e obtenham confiança na professora que cuidará de seus filhos, porque ela “assume uma função materna”.

A passagem do ambiente familiar para social é difícil e problemas com a adaptação da criança à nova realidade são naturais.

“É até esperado que eles apresentem problemas no início”, opina a psicanalista. Para ela, a criança que não tenha uma reação, mostrando ao menos um pouco de medo e insegurança no início do convívio, em um ambiente novo, pode estar apresentando falta de vínculo familiar ou mesmo falta de espaço para se ” expressar; ela pode estar sendo muito cobrada pelos pais, que exigem um primeiro dia de aula sem choro. No começo, essas crianças parecem ser as que menos estão sofrendo, porém a dificuldade aumenta com o tempo e a crise é muito maior posteriormente.

Para saber lidar melhor com esse período, quando geralmente a criança tem entre 2 e 3 anos e alcança sua “autonomia corporal”, estando pronta para a estreia escolar, Vera dá algumas dicas para os pais que querem ver seus pimpolhos felizes num ambiente confortável e saudável. A psicanalista avisa que é importante ter disponibilidade para passar algum tempo na escola na fase de adaptação da criança (geralmente uma semana). Convém para isso preparar o próprio ambiente de trabalho para as possíveis eventualidades, como atrasos ou faltas, na medida do possível. Outra dica é ficar de olho na atenção que a escola dá ao problema. “A escola que não respeita isso não é uma boa escola, o que já serve como critério para avaliá-la”.

Vera diz ainda que, quando a criança reage à saída da mãe com pânico mesmo depois de algumas semanas de aula, essa deve ser considerada uma adaptação difícil, mas que pode ser trabalhada com a direção da escola, junto aos pais ou mesmo com a ajuda de um profissional especializado.

Enfim, todos os problemas podem ser resolvidos quando recebem a merecida atenção, principalmente dos pais, que devem estar sempre atentos ao comportamento de seus filhos.

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Dra. Vera Blondina Zimmermann
Dra. em Psicologia Clínica - PUC-SP, Professora afiliada do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo, Coordenadora do Núcleo Bebês com Sinais de Risco em Saúde Mental no mesmo departamento. Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto SEDES SAPIENTIAE onde coordena o curso Clínica Interdisciplinar da Primeira infância.

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